Este texto acompanha um vídeo que publiquei recentemente no canal.
Achei importante escrever, porque nem tudo cabe num vídeo curto, e porque algumas pausas precisam de contexto para fazer sentido.
Durante um período, eu simplesmente parei de gravar. Não foi por falta de vontade, nem por desânimo com o canal. Foi, acima de tudo, uma decisão prática.
Quando a empolgação encontra a realidade
Quando comecei o canal, eu estava realmente empolgado.
Gravei vários vídeos adiantados, escrevi roteiros, planeei frequência. A ideia era simples: criar consistência e melhorar a minha comunicação aos poucos, sem pressão.
Esse canal nasceu como um hobby. Um espaço para me treinar diante da câmara, aprender a falar melhor, perder o desconforto de me ver gravando. Quem já passou por isso sabe como é estranho no início. Eu tinha dificuldade até de assistir aos meus próprios vídeos, quanto mais editar.
Mas, aos poucos, comecei a sentir evolução.
No último vídeo antes da pausa, percebi que estava mais solto, a edição estava melhor, a fala mais fluida. Mesmo sem o alcance que eu esperava, eu fiquei satisfeito com o resultado.
E foi exatamente aí que precisei parar.
Priorizar nem sempre é escolher o que se gosta mais
Ao mesmo tempo em que o canal estava a ganhar forma, eu precisava tomar uma decisão difícil: priorizar o projeto que poderia trazer retorno financeiro mais rápido.
A revista digital News Lifestyle, que mantenho aqui em Portugal, estava parada há algum tempo. E ela faz parte de um plano maior de independência financeira. Não é um projeto pequeno, nem improvisado. É algo que eu levo a sério e que exige estrutura.
Voltar com a revista significou muito trabalho.
Rebranding, criação de processos, contacto com colunistas, organização da produção de conteúdo, planeamento editorial. A ideia foi tornar a revista menos dependente apenas de mim e mais orgânica, com várias vozes.
Tudo isso exigiu tempo. E ainda exige.
Um negócio de uma pessoa só
Hoje, a minha rotina é bastante simples na teoria, mas pesada na prática.
Trabalho num emprego fixo das nove às dezoito. Quando saio, vou para casa e é aí que começo o segundo turno: cuidar da revista.
Não tenho equipa. É um negócio de uma pessoa só.
Posso terceirizar algumas coisas pontualmente, mas neste momento não existe receita suficiente para contratar alguém de forma fixa. E assumir esse compromisso agora seria irresponsável.
A revista ainda não gera rendimento, mas está a crescer. O alcance aumentou, as publicações estão a ser muito partilhadas, os números têm evoluído de forma consistente. E isso, honestamente, até me surpreendeu.
Por isso, eu não podia perder esse momento.
O canal continua a ser importante
Mesmo assim, eu não quis abandonar o canal.
Ele representa algo pessoal. É parte do meu processo de crescimento, de melhorar a minha comunicação, a minha retórica, a forma como me expresso.
Hoje, a ideia é voltar de forma mais realista.
Não dois vídeos por semana, como planeei no início, mas pelo menos um. Algo que eu consiga manter sem me sabotar, sem transformar tudo em mais uma fonte de frustração.
Conciliar tudo isso não é fácil. Eu sei que vou ficar cansado. Sei que vou trabalhar fins de semana. Sei que vou me sobrecarregar em alguns momentos. Mas essa sempre foi a forma como eu lidei com os meus projetos.
que está por trás dessa escolha
Há coisas que eu raramente falo, mas que fazem parte das decisões que tomo.
Eu sou casado. Sou casado com um homem. E nós pensamos em ter filhos.
Para isso, eu quero ter estrutura. Quero ter casa própria. Quero estabilidade. Quero poder oferecer qualidade de vida. Aqui em Portugal, criar filhos envolve custos, planeamento e responsabilidade.
Não quero que os meus filhos passem por dificuldades que eu poderia ter evitado com mais preparação. E, para isso, os negócios que eu estou a construir precisam dar certo.
É por isso que, neste momento, o retorno financeiro vem antes do hobby.
Nem todos têm o luxo de escolher apenas o que gostam de fazer. Eu ainda não tenho. Mas trabalho para ter.
Para fechar
Este texto não é uma explicação longa nem um pedido de compreensão.
É apenas um registo honesto de um momento.
Os planos nem sempre seguem como imaginamos. Às vezes, precisamos ajustar, pausar, reorganizar. Isso não é desistir. É amadurecer.
O vídeo que acompanha este artigo existe para marcar esse retorno e explicar o porquê da pausa.
Se você chegou até aqui, obrigado por acompanhar.
A vida segue. Os projetos também. Só mudam de ritmo.